À Conversa com…Veterano (KO)

O Hip Hop é uma cultura de união e de paz, mas que também nasceu com um estilo reivindicativo e comunitário

O artista Veterano (KO) sempre adorou escrever e ler poesia, mas foi em 1998 que surgiu o Hip Hop, quando escreveu um poema especial na tentativa de dar vida a esse poema. Vai ser uma das apostas do programa “Descobertas da Semana” e por isso decidimos desvendar um pouco mais a sua carreira. Com verdade, uma das bases do rap, tudo se consolida. E na música de Veterano sente-se bem essa vibração.

Texto Irene Mónica Leite

Durante os tempos de escola, ouvia vários estilos de música, mas digamos que o RAP surgiu com força quando começo a dar luz aos meus próprios poemas e rimas. A paixão foi instantânea, expressar aquilo que escrevia fascinou-me e ainda hoje para mim é quase como algo vital. Convém dizer que, para além do RAP, o Hip Hop é toda uma cultura composta por várias vertentes, e tudo o que essa cultura representa tornou-me num fã incondicional de Hip Hop. No RAP, que é a minha área, para além da voz, a escrita é essencial”, começa por nos revelar o artista.

Veterano já soma uma experiência sólida, o que se reflete no produto final. “Eu não tenho escola musical propriamente dita e, para além do RAP, somente tive uma guitarra quando era puto e sempre aprendi ‘ao desenrasca’ … até que gostaria de me profissionalizar mais no futuro na área musical. Não ter Escola Musical é, se calhar, um handicap de 99% dos Rappers atuais. Aquilo que nos compete fazer até pode ser mais simples, pois basta entender o compasso, que é sempre o mesmo, e jogar com as palavras e métricas. O jogo passa, portanto por ter um bom flow e conciliar com uma boa escrita”, reconhece. 

O artista afirma que a verdade não deveria ser a grande diferenciação da sua música, sobretudo no que diz respeito ao RAP. “A verdade e a escrita fazem parte daquilo que falamos e que me fez apaixonar pelo RAP e por toda a cultura Hip Hop. O Hip Hop é uma cultura de união e de paz, mas que também nasceu com um estilo reivindicativo e comunitário. É lógico que, com a popularização do RAP, aquilo que aparece é totalmente desfigurado. O mesmo aconteceu com o Rock, penso: o poder de mensagem que tinha também desvaneceu no mainstream. Do meu lado, aquilo que posso dizer é que tentarei sempre levar comigo esta minha conceção do Hip Hop – paz, união, respeito, atitude, mensagem, etc – independentemente daquilo que possa dar mais ou menos. A palavra tem uma força tremenda. Agora, resta-nos esperar que o verdadeiro Hip Hop venha à tona para que possa contribuir para uma mudança positiva. Neste momento é quase o oposto “, lamenta.

Há muitas referências no rico trabalho de Veterano. “Sim, a nível nacional, vou começar pela pessoa a quem presto homenagem neste meu novo álbum, um artista fenomenal que é o falecido Beto di Ghetto. Depois, acrescentaria Sam the Kid, Chullage, Nigga Poison, XEG. A nível de Estados Unidos, começaria com 2PAC, depois acrescentaria NAS, Mobb Deep, Mos Def, Eminem e, claro, Wu Tang Clan. França também me marcou bastante com NTM, IAM, Keny Arkana, Sniper, Kery James..” , revela.

Em termos de balanços na carreira “até ao momento  tive quase como três vidas, sendo que agora estou na terceira, que foram: o grupo Raptórica, o primeiro trabalho a solo, e agora com este novo álbum. Com o grupo Raptórica e tendo em conta a época que era, considero que fizemos um excelente trabalho e trago muito boas recordações. Depois disto, surgiu um fosso de vários anos e em que reapareci a solo. Na altura, foi como recomeçar tudo de novo, lancei o projeto de forma independente e teve um impacto reduzido. Neste meu segundo e novo trabalho a solo, as coisas já começam a ganhar alguma forma. Veremos o que dará a partir de agora, mas só pelo facto de poder fazer música, já me sinto grato”, explica.

“Neste momento, ainda me encontro a promover o meu álbum ‘Gira o MIC’. Este acabou de ser lançado e ainda tenho alguns videoclips para lançar até início do próximo ano. O meu objetivo nos próximos anos, enquanto artista, passa agora por ser o mais regular possível. Tenho alguns projetos e temas já criados que serão lançados oportunamente. Fiquem atentos”, apela.

Em termos de agenda, “agora as coisas têm corrido bem em termos de lançamentos, concertos, entrevistas e outros, se calhar de realçar que no dia 6 de Dezembro no Porto (Hard Club) e dia 7 de Dezembro em Lisboa (Lisboa ao Vivo), farei parte de dois excelentes espetáculos, que serão divulgados brevemente, com muito Hip Hop e excelentes artistas. Apareçam, vão ver que não se arrependem!”, apela.

A origem do nome Veterano

“Depois de ter tido um grupo de RAP de 2001 a 2008, que se chamava Raptórica, o nome Veterano só surge em 2015, aquando do lançamento do meu primeiro trabalho a solo. Anteriormente, o meu nome de artista com o grupo era KO, mas, após estes 7 anos, o meu objetivo passava por romper com tudo o que tinha feito e acrescentei o nome “Veterano”, passando a ser ‘KO aka Veterano’, o que para mim tinha mais significado. Isto porque estava a voltar à estaca zero e, ao mesmo tempo, sentia-me de uma geração já mais velha do que aquela que estava a fazer e consumir RAP português. Após os últimos 4 anos e com este meu novo segundo trabalho a solo – ‘Gira o MI’- já somente destaco o nome de ‘Veterano’, conta-nos.

O meu objetivo agora, passa por ser o mais regular possível

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