maonas

“Atenção Creuzebek. Creuzebek, meu filho, vamos lá que vai começar a baixaria”

Ironia, ecletismo e riffs musculados, revestidos por letras hilariantes. Assim eram os Mamonas Assassinas. 23 anos após o acidente que tirou de cena este grupo em ascensão, a Scratch Magazine revisita a história da banda do “vira vira”. Confira.

Por Irene Mónica Leite e Lino Galveias

Com origem em Guarulhos, na área metropolitana de S. Paulo, começaram em 1989 como Utopia, com vários integrantes dos futuros Mamonas, tocando covers de músicas de outros grupos brasileiros e estrangeiros. Num concerto pediram para tocar “Sweet Child of Mine” e o grupo (que não sabia a letra) pede a alguém que a conhecesse para subir ao palco, e surge Dinho, que actua de forma cómica, tendo convencido os outros membros.

Aos poucos, os integrantes começaram a perceber que as palhaçadas e as letras de música em que criticavam amigos, fãs e parentes eram mais bem recebidas pelo público do que os covers. Decidiram, então, mudar o perfil da banda, a começar pelo nome (Mamonas Assassinas devido a um fruto – mamona que os miúdos atiravam uns aos outros) e de paradigma, surgindo depois os originais e o furor.

A fita demo que prepararam caiu nas mãos, e nas graças, de Rafael, filho do director artístico da EMI-Odeon, João Augusto Soares e baterista da banda Baba Cósmica, tendo sido lançada logo depois da morte dos Mamonas. João Augusto ouviu e contratou a banda em 28 de abril de 1995, consolidando uma parceria que rendeu um milhão de cópias vendidas em menos de um ano de carreira.

O som era uma mistura de punk rock com influências de géneros populares, tais como forró (Jumento Celestino), brega (Bois Don’t Cry), heavy metal (Débil Metal), pagode (Lá Vem o Alemão), música mariachi (Pelados em Santos), reggae (Onon Onon) e o vira português em Vira-Vira (gozando também com a música homónima de Roberto Leal).

Sob o nome Mamonas Assassinas, percorreram o Brasil inteiro, fazendo por vezes 2 concertos num dia e tornaram-se ídolos no seu país, e fora de portas, tendo sido dados a conhecer em Portugal. A carreira foi, porém, curta, de Julho de 1995 a 2 de Março de 1996 (pouco mais de 7 meses), mas ficaram na história da música brasileira.

Com um único álbum de estúdio, Mamonas Assassinas, lançado em junho de 1995, o grupo vendeu mais de 3 milhões de cópias no Brasil. Com letras bem-humoradas , o álbum lançou os meninos de Guarulhos ao estrelato nacional.

Uma saída do palco precoce

A morte dos Mamonas Assassinas, em 1996, chocou o Brasil. Os músicos voltavam de um concerto em Brasília (e viriam a Portugal brevemente) quando o avião particular em que viajavam chocou contra a Serra da Cantareira, em São Paulo.

Uma parte do sucesso dos Mamonas deveu-se ao vocalista Dinho, o mais divertido dos cinco. Bento (guitarra), um japonês que se apresentava com uma peruca rastafari, era o responsável pela mistura de estilos musicais da banda, que ia do sertanejo ao rock, passando pelo vira, tradicional música portuguesa. Júlio Rasec (teclados) – o sobrenome artístico era, na verdade, o seu segundo nome, César, escrito ao contrário – ficou conhecido pela performance de Maria, na música “Vira-Vira”. Os irmãos Reoli, Samuel (baixo) e Sérgio (bateria), usavam uma corruptela do verdadeiro nome da família, Reis de Oliveira, como nome artístico.

Um pouco do legado: o verdadeiro cocktail sonoro

Bois don´t cry“Ser corno ou não ser…”

Débil Mental O riff de Débil Mental é um dos melhores na carreira do grupo. Uma grande aventura pelo rock mais pesado.mamonas


Pelados em Santos“A desgraçada não quer compartilhar”

Robocop Gay “Abra a sua mente!”

Mundo Animal
“totalmente beautiful, as baleias no oceano…”


Uma Arlinda Mulher
“Um paradoxo de pretérito do imperfeito, complexo com a teoria da relatividade”

Chopis Centis
“Quanta gente, quanta alegria…”

Palavras para quê?

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