Fabrizio de Andrè

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Quando pensam em música italiana, pensarão em que nomes? Pavarotti, Pausini, Celentano, Ramazzotti, Andrea Bocelli, Jovanotti… todos com o seu talento. Porém, um não deve nunca ser esquecido, mas sim lembrado e celebrado: Fabrizio de Andrè.

Por Lino Galveias

Não conhecerão nada dele, mas este cantautore nascido em Génova em 1940 e falecido em Milão em 1999, é uma alma da música italiana. Pelas canções, que falam do que é normalmente ignorado por outros: prostitutas, marinheiros, criminosos. Filho de um membro da resistência anti-fascista (i Partigiani), nasce ao som de uma valsa que o inspira, estuda, apaixona-se pela música, grava 13 álbuns.

Ao longo da carreira, grava não só em língua Italiana, mas também em Lígure (Crêuza de mä), Sardo, Napolitano, contribuindo para a valorização das várias línguas e dialectos falados no Bel Paese. Independentemente do idioma, provoca quem o escuta, como é o caso do disco La Buona Novella, que fala de religião e ao mesmo tempo critica a igreja. No disco homónimo, mas mais conhecido por L’Indiano, fala do rapto de que foi alvo (com a sua esposa) na Sardenha. Um tempo mais tarde, disse que entendia a dificuldade do povo local e de alguns dos seus raptores, no álbumfabrizio canta Fiume Sand Creek como uma crítica ao massacre de Sand Creek ocorrido em território americano contra os nativos, além de Ave Maria (canto Sardo), Quello che non ho ou Hotel Supramonte, ambas sobre povos oprimidos.

É essencial, por exemplo, escutar La Guerra di Piero em que fala das consequências da guerra num antigo condenado num campo de concentração.

No disco Creuza di mä, por exemplo, fala da sua terra, na língua autóctone, dos marinheiros, faz uma crítica à guerra do Líbano em Sidún. David Byrne considera-o um dos discos essenciais dos anos 80. No disco “Le Nuvole” parte da crítica à política italiana (essencial a música Don Raffaé em que, em napolitano, critica a máfia e as prisões italianas), viajando depois à descoberta da diversidade étnico-linguística de Itália. Em Monti di Mola, nova homenagem à Sardenha, e colaboração com outro grupo musical essencial de Itália, os Tazenda.

E mais não digo, deixo-vos ouvir e reflectir.

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