YARA1

MAMA nasce das raízes e vivências passadas de Yara Gutkin em Portugal, Espanha, Argentina, Cuba e Brasil, que se sentem de uma forma muito íntima e familiar. A SCRATCH MAGAZINE falou com a artista e ficou a saber aspectos que motivaram este registo tão pessoal e emocional. Veja o resultado.


Texto Irene Mónica Leite

Trata-se de uma viagem com cheiros e alusões à mãe natureza que vai desde as águas do Amazonas, de onde provém o nome Yara – mãe d’água das culturas indígenas –, às praias de recifes de corais, revelando a poesia e afetividade presentes na canção de embalar.
Percorrem-se canções que vão desde a mais tradicional até à mais atual, tratadas de uma forma única e variada, e escritas num tom intervencionista, que reclama o papel da mulher na contemporaneidade.

MAMA compõe assim um retrato do que é ser mulher e mãe antigamente e agora, num projeto (e concertos) para todos os públicos, dos mais bebés ao mais graúdos.

YARA CARTAZ
Dia 14 de julho, Yara Gutkin retorna ao Centro Cultural Olga Cadaval juntamente com o seu Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras depois de estrear o musical “Missão Terra”, desta vez para lançar o seu primeiro álbum ao qual se juntam novos músicos na banda, convidados especiais e outras surpresas musicais. Dia 25 de outubro passa pela Casa das Artes em Arcos de Valdevez.

“Mama” é um disco muito especial. Para além de ser a estreia, celebra a maternidade e, também a mãe natureza…
Sim, apesar da maternidade ter sido o grande impulso para este trabalho, a mãe natureza sempre fez parte de mim. Está sempre presente.

A Yara também apresenta um background significativo. Este é um disco de estreia, mas há todo um caminho traçado anteriormente….Com músicas na Disney, entre outros aspectos. De que forma esse background se repercutiu na construção deste álbum?
Sim, há toda uma influência, desde a minha experiência na música clássica. Nas minhas composições tenho estilos que adoro, desde autores impressionistas como Ravel, assim como os compositores mais modernos da chamada música mais popular, desde a música tradicional portuguesa. Sempre adorei a música aqui do Norte de Portugal, sempre fez parte da minha vivência. No fado, a Amália… E também de músicas mais latino-americanas, que vêm da parte do meu pai. Tom Jobim, Caetano Veloso… Mas o Tom Jobim sempre foi o meu predileto.

Fusão é uma palavra que se enquadra no seu trabalho?
Não sei. Acho que sim, talvez (risos).

Porque noto que nas suas letras há muitas referências . Houve todo um cuidado para passar a mensagem?
Sim, precisamente. Escolhi uma canção por ano quase. Foi um trabalho que demorou muitos anos. Foi um processo paulatino, com calma e que demorou o seu tempo. Depois fui encontrando alguns autores que adoro. Foram momentos mágicos, como por exemplo a Canção do Leite, de José Mário Branco.

A Yara tem muitas influências, mas o Tom Jobim é a grande referência….
Do lado da música popular, sim. Na minha faceta de pianista a referência é Maria João Pires, uma pessoa incrível que admiro. O primeiro cd que ouvi de pequenina foi o Noturnos de Chopin. A música clássica teve também o seu peso.

Coordena o Coro Infantil Santo Amaro de Oeiras, e também os incluiu no registo. Como decorreu o processo de gravação?
Foi bastante complexo. É sempre difícil fazer escolhas, sobre quais os meninos a levar. São centenas de crianças que tenho nas minhas mãos. Foram muitas horas de gravação. Não foi fácil. Foi desgastante para todos, mas compensou. Mas gostava de fazer um álbum só com as vozes deles.

Ainda é muito recente, mas já sente feedback do público?
Coisas positivas. Noto que a mensagem chega e que as pessoas ficam emocionadas.

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