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Prometemos, cumprimos. dj a Boy Named Sue em discurso direto para a Scratch Magazine. O ambiente da entrevista foi animado e a partilha de ideias estimulante. Prometemos continuar a acompanhar esta verdadeira máquina do tempo do rock `n´ roll. Confere o resultado!

Por Irene Mónica Leite

2016@Scratch Magazine

Eram cerca das 15h30. Matéria prima, Porto. Local que transborda música e cultura de vanguarda. Melhor seria impossível.BOY2
Juntar músicas que à partida não se encaixariam. É esse o mundo de Tiago aka a Boy Named Sue “Uma mistura muito exótica que fiz ….foi passar de Can (krautrock) para um single do mais recente álbum dos Chemical Brothers”[risos] E resultou. “Fica bem, tem o mesmo tempo e põe as pessoas a dançar”, sublinha o dj.
Tiago frisa que “há espaço para o dj rock `n` roll”. Basta pensar no exemplo dos Black Keys, que, como banda, começaram em pequena escala, mas conseguiram, posteriormente, alcançar multidões.
O balanço destes 15 anos de aventuras musicais não podia ser mais positivo. “Estou muito satisfeito”, conclui.

Como e quando nasceu a tua paixão pela música? Houve influência de alguém em particular?
A primeira parte foi do meu pai que gosta muito de música também. Não é um melómano como eu [risos]. Mas quando era criança já ouvia Jacques Brel e Édith Piath , o Sérgio Godinho….
São bases muito importantes e sólidas.
José Mario Branco…. Por outro lado, ele gosta de muita coisa desde blues a música celta, música do mundo. Eu descobri a Laurie Anderson através do meu pai, por exemplo.

Eu , por exemplo, fui mais para os campos do rock devido à influência dos meus irmãos. U2, Depeche Mode , Nirvana, David Bowie….BOWIE
Pois, eu tenho amigos que os pais deles têm a colecção toda dos Pink Floyd. O meu pai não era tanto isso, mas abriu-me os horizontes para outros lados. É que eu depois , com os meus amigos, por volta dos 14 anos, descobri os Cure, os Clash…E assim consegui juntar dois universos.
O que daria origem , por exemplo, ao cocktail que apresentas no teu programa.
Sim, também estará relacionado com isso.
E as sequências musicais? Quando começaste a ter essa preocupação ?
Isso é algo que vai surgindo com a experiência. Houve uma altura que decidi começar a passar música, fazer festas. Tinha 20 lps e 20 cds. E proporcionar uma oferta diferente às pessoas em Coimbra, isto há 15 anos. Depois uma pessoa começa a aprender a estabelecer uma sequência lógica com as canções. Mas às vezes é um riff de guitarra , às vezes é uma batida que tem o mesmo tempo…Eu normalmente so decido o que vou passar na música anterior. Porque há um bichinho que te remete para outra música que fica bem. E ás vezes não me interessa se tem vinte anos de diferença ou se são de estilos completamente diferentes. Mas sim, tentar encontrar similaridades nos tempos no groove.
E deixar-te levar um pouco pelo flow e pela reacção dos presentes….
Sim. A partir de uma música podes ir para multiplas direcções. Mas tens que olhar para as pessoas e perceber se está na altura de puxar um bocadinho mais. Tens que ler as pessoas. Se já estão a dançar….
E como foi a tua experiência de trabalhar com Jon Spencer Blues Explosion?
Foi muito bom. Eu conhecia o Jon há uma serie de anos. Houver uma noite em Loulé, uma after party, um concerto de heavy trash. E o Jon veio passar música comigo, com os meus cd´s. Depois vieram aqui ao Porto, hard club e não tinham ninguém para a primeira parte. Primeiro falaram com o Tigerman. Ele não podia. E depois falaram comigo. Ele já me tinha visto uma serie de vezes a passar música. Fiz a primeira parte como se fosse uma banda a aquecer para eles. Ele gostou tanto que levou-me para uma tournée em Itália. Foi muio giro, porque escolhi uma música para ser a ultima do meu set, que dava a transição para eles. Escolhi uma que eles gostaram bastante. Então, eu estava a passar música e a certa altura dá-se a entrada em palco a afinar as guitarras e começava a tocar por cima da música. Começou com os solos de guitarra. De repente, os outros dois entravam e quando se dava por ela o concerto tinha começado. Eu fazia um pequeno fade out e nem se notava. E foi ótimo.
Também um passo importante na tua carreira….
Sim, o Jon Spencer é um ídolo. Sou fã dele. O reconhecimento que parte de uma pessoa assim …..mesmo há pouco tempo quando fizemos uma digressão com o Tigerman e Jon Spencer no outono passado pelo norte da europa… Eu ando sempre com bastantes cd´s na carrinha para ouvirmos simplesmente. E o Jon disse logo na primeira noite: “Tiago, quando puderes, passa música no final dos concertos”. E acabou por acontecer em Estocolmo uma after party espontânea. [risos]
Já fizeste várias digressões nacionais e internacionais. Trabalhaste com diversos tipos de publico. Algum que te tenha marcado?
Os públicos são todos muito diferentes e os ambientes também. Eu ontem passei música no Maus Hábitos, depois fui dar uma volta ao Plano B e só dizia a dois ou três amigos : “já fui tão feliz aqui”. Já tive noites no plano b incriveis. De ter a sala cheia e depois da electrónica deslocarem-se os djs e o público da sala de electrónica para vir dançar para a minha, que é uma coisa muito rara.Normalmente é sempre o contrário. é um publico fantástico. Mas posso dizer que em Leiria o público também é muito bom. Eu costumo dizer:dêem-me pessoas com vontade de se divertir [risos].Em Lisboa também tenho festas com públicos incríveis.
No Sabotage…
Sim, também no Music Box….. E vou adaptando. Tanto tenho pessoas de vinte anos como de cinquenta. Tenho pessoas de todos os estilos musicais a divertirem-se.

E uma pergunta certamente complicada devido à tua longa bagagem. Há algum género musical que prefiras?
Eu costumo definir as minhas noites como o “Rock´n ´roll Freak Out”.Pode ir de Chuck Berry a Motorhead, Franz Ferdinand a Rolling Stones. Pode ir a muita coisa. James Brown….Obviamente que eu adoro passar música em noites temáticas. Em Lisboa já criei 2o Kaleidoscope que é uma noite dedicada à psicadelia , desde os anos sessenta até agora. Há pouco tempo criei o chills & fever dedicado ao rhythm & blues e soul e às raizes negras do rock and roll.
Estas noites temáticas remetem para outra questão: a experiência visual…outra componente muito importante nos teus sets.
Desde as primeiras festas que tive sempre a ideia de oferecer algo mais às pessoas. Oferecer uma experiência! Não ser só um gajo a passar música diferente. Então em Coimbra , quando comecei a fazer festas, eu decorava o bar inteiro com cartazes , discos colados na parede. Nestas no Kaleidoskope transformo o bar . Ponho diferentes projecções de video. Projecções psicadélicas dos anos sessenta. No Chills and Fever tento criar ambientes diferentes. O bar não é o mesmo em comparação com a noite anterior. E eu tento jogar com os aspectos musicais e visuais para se criar uma atmosfera muito própria.
Agora relativamente ao teu programa na rádio universitária de coimbra. Que balanço estabeleces deste projeto?
Acho que consegui criar algo único e com bastante personalidade. O cocktail mariachi é um programa muito calmo de domingo. Eu quero entreter as pessoas, que relaxem. Quero ser uma banda sonora. Posso misturar as coisas mais diversas. Mas acho que criei uma identidade no programa.Tenho tido bastante feedback. É um dos programas mais antigos da RUC.
Agora também estás a colaborar no Indiegente (Antena 3, com Nuno Calado) , com o baú do Sue. Como está a correr a experiência?
Eu acho que está a correr muito bem. E estou a ter bastante feedback também.
E o baú do sue , em termos de hstórias marcantes como dj…. Alguma a partilhar com a Scratch Magazine?
Já tive imensas situações engraçadas e interessantes. Uma história foi no estrangeiro através do Rodrigo Areias na apresentação de um filme dele. E havia outro filme português centrado na cultura urbana. E então pediram-me para passar um bocadinho de hip hop. Começar com hip hop para estabelecer uma ligação entre os dois filmes. Depois passei do hip hop para o soul. E as pessoas quando deram por ela estavam a dançar o Surfin Bird [risos].

One thought on “Freak Out com…. dj a boy named sue

  1. Boa tarde !
    Estou começando com o Blog agora e queria saber se você podia me ajudar me seguindo que eu te sigo na mesma hora.
    Desculpa incomodar.

    Like

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