rita_leeNuma altura em que é lançada em Portugal a autobiografia de Rita Lee , recuperamos um artigo de 2014 elaborado pela jornalista, também do Brasil, Márcia Carvalho. Um percurso cativante elaborado sobre esta rainha do rock. Celebremos!

Rita Lee é a protagonista mais importante da história do rock brasileiro. Da balada romântica à crítica feminista e social, a cantora experimenta desde os anos 1960 o rock, do iê-iê-iê ao deboche tropicalista, misturado ao namoro duradouro com a música popular brasileira do banquinho e violão.

Por Márcia Carvalho

Rita Lee Jones nasceu no dia 31 de dezembro de 1947, na Vila Pompéia, bairro operário da cidade de São Paulo, Brasil. Cantora e compositora, Rita Lee é reconhecida como a Rainha do Rock Brasileiro, mesmo com uma carreira que atravessa outras harmonias e ritmos distintos. Além da sua carreira de sucesso como cantora e compositora, Rita Lee também já atuou em telenovelas, apresentou programas na TV, projetos de rádio, e fez participações especiais em vários filmes.

Apesar de sonhar em ser atriz de cinema ou médica veterinária – e sempre defensora dos animais – Rita desde pequena tinha paixão pela música e chegou a ter aulas de piano com a famosa concertista Madalena Tagliaferro.

Ainda na escola, formou um grupo só de meninas chamado Teenage Singers (1963). Participou ainda do grupo Six Sided Rockers, que mudou o nome para O’Seis e lançou um compacto. No final de 1965, o grupo transformou-se em O Konjunto, e quando a formação da banda se reduziu a apenas um trio surgiram Os Bruxos que logo a seguir foram rebatizados de Os Mutantes, grupo do qual Rita fez parte de 1966 a 1972.

De estilo irreverente e paródico, na sua formação original, Os Mutantes reuniram os irmãos Arnaldo Baptista (baixo) e Sérgio Dias (guitarra) com Rita Lee (vocal); três jovens paulistanos de classe média que amavam o pop-rock dos Beatles,
O grupo tornou-se conhecido pelas suas participações performáticas em programas de televisão da época ao se apresentarem em “O Pequeno Mundo de Ronnie Von”, “Show do Dia 7”, “Família Trapo”, “Astros do Disco”, etc. Nesses programas, eles interpretavam músicas de grupos ingleses e norte americanos, mas principalmente as canções dos Beatles.

rita_lee_2Os Mutantes fizeram a sua primeira apresentação no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em 1967, acompanhando Gilberto Gil na música “Domingo no Parque”.

Em 1968, Os Mutantes colaboraram na gravação de “Tropicália ou Panis et Circensis”, considerado o álbum mais importante da história da MPB.

Os Mutantes lançaram de 1967 a 1976 nove álbuns e, na sua formação original produziram os discos: “Os Mutantes” (1968), “Mutantes” (1969), “A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado” (1970), “Jardim Elétrico” (1971), e “Mutantes e seus Cometas no País dos Baurets” (1972).

“Tecnicolor” nasceu durante a turnê pela Europa em 1970. O grupo teve os seus discos relançados entre 1990 e meados dos anos 2000.

Rita Lee gravou o seu primeiro disco a solo em 1970, “Build Up”, e depois da separação dos Mutantes lançou “Hoje é o Primeiro Dia do Resto de Sua Vida” (1972).

A liberdade sexual posada pelo grupo em performances em palcos ou capas de discos, e proclamada em várias letras de canções como “Rita Lee foi passear”, “Quem tem medo de brincar de amor” e na famosa “Balada do Louco” não resistiu por muito tempo na vida real.

Assim, a separação do casal Rita Lee e Arnaldo Baptista modificou a história do Rock. Muito já se falou sobre a virada na vida de Arnaldo a partir do uso de drogas, os inumeros conflitos em torno da carreira a solo de Rita Lee e a questão da sexualidade, com as estórias de casos e affairs dele com fãs, nos períodos de atritos e reconciliações do casal. No entanto, desde a separação Rita recusa-se a falar em detalhe sobre a sua história.

Rita formou ainda a banda Tutti-Frutti, entre os anos de 1974 e 1978, e gravou os discos “Atrás do Porto tem uma cidade” (1974), “Fruto Proibido” (1975), “Entradas e Bandeiras” (1976) e “Babilônia” (1978).
Rita ainda fez nova parceria com Gilberto Gil no disco “Refestança”, de 1977
Em 1976, Rita conheceu o músico carioca Roberto de Carvalho, com quem começou uma parceria musical e amorosa de sucesso que segue até os dias atuais. Com Roberto, Rita Lee teve três filhos: Beto (1977), João (1979) e Antônio (1981). Rita manteve o seu bom humor na música e na vida, sempre abordando a discussão do papel feminino na sociedade brasileira e apostando em letras açucaradas.
Rita e Roberto gravaram os discos “Mania de Você” (1979), “Lança Perfume” (1980), “Saúde” (1981), “Flagra” (1982), “Bombom” (1983), “Vírus do Amor” (1985), “Flerte Fatal” (1987), “Zona Zen” (1988), “Perto do Fogo” (1990), “A Marca da Zorra” (1995), “Santa Rita de Sampa” (1997), “Acústico MTV” (1998), “3001” (2000), “Aqui, ali, em Qualquer Lugar” (2001), “Balacobaco” (2003), “MTV ao Vivo Rita Lee” (2004).

O disco “Lança Perfume”, de 1980, inaugura a fase mais romântica da dupla com repertório repleto de sucessos, da canção título, “Lança Perfume”, à “Baila Comigo” e “Nem Luxo Nem Lixo”.
Em 1981 gravam o álbum “Saúde”. Seguindo adiante com os hits “Flagra”, “Cor de Rosa Choque”, “Só de Você”, “Desculpe o Auê”, “Pega Rapaz”, “Perto do Fogo”, etc.

Rita Lee também sempre foi uma personagem importante da televisão brasileira.
Em 1991, Rita e Roberto decidem interromper a parceria musical. O casal só volta a se apresentar no mesmo palco em 1995. Nesta época, Rita Lee gravou também os discos a solo “Pedro e o Lobo” (1989), “Bossa ‘n’ Roll” (1991) e “Todas as Mulheres do Mundo” (1993).

Rita reinventa-se com o formato acústico com o show “Bossa’n’roll”. Nele faz releituras de vários sucessos da sua carreira em formato banquinho e violão, juntamente com canções de outros artistas.

Em 1993, Rita lança o disco “Rita Lee” dando uma guinada mais rock, com destaque para o seu olhar feminista, como em “Todas as Mulheres do Mundo”.
No início de 1995, Rita é convidada para fazer o concerto de abertura da turnê brasileira dos Rolling Stones. Junto a Roberto de Carvalho, Rita apresenta-se nos estádios do Pacaembu, em São Paulo, e no Maracanã, no Rio de Janeiro. Desta experiência nasce o show “A Marca da Zorra”. Depois de turnês pelo Brasil, o show vira um álbum ao vivo, conquistando vários prêmios e êxito de público.
Em 1997 Rita assina contrato com a gravadora Polygram, atual Universal, e lança o disco “Santa Rita de Sampa”, com parceria musical retomada com Roberto de Carvalho.

Em 1998 gravam o “Acústico MTV”, com releituras de seus maiores sucessos e convidados como Milton Nascimento, Titãs, Paula Toller e Cássia Eller.
Em 2000, Rita lança “3001”, uma máquina do tempo musical produzido por Roberto de Carvalho, que em novembro de 2001 é contemplado com o Grammy Latino na categoria melhor disco de rock.

Em 2001, Rita grava o álbum “Aqui, Ali, Em Qualquer Lugar” com releituras de clássicos dos Beatles. O repertório traz três versões em português e uma levada bossa-nova.

Em 2003, Rita Lee lança “Balacobaco”, disco produzido por Roberto de Carvalho, composto por 11 faixas inéditas, entre elas “Amor e Sexo”, parceria de Rita Lee, Roberto de Carvalho, e do jornalista e cineasta Arnaldo Jabor.

Em 2004, Rita Lee grava em São Paulo o “MTV AO VIVO RITA LEE”, seu 32º disco.
Em 2009, Rita lança mais um show ao vivo em disco e DVD: “Multishow ao vivo Rita Lee”.
Rita Lee ficou sem lançar um disco de inéditas desde “Balacobaco”, de 2003, guardando toda a sua ironia para o álbum “Reza” (2012). Com 14 músicas, todas compostas por ela e algumas em parceria com o marido, Roberto de Carvalho, Rita invoca a religiosidade com letras debochadas, como nas canções “As Loucas” e “Gororoba”.

rita3o último disco “Reza”, Rita Lee anunciou que vai-se aposentar dos palcos, sem abandonar a música. Entre os Mutantes, Tutti Frutti, com Roberto de Carvalho ou mesmo em projetos de sua carreira solo, poucos artistas brasileiros conseguiram falar tão de perto ao ouvido de várias gerações. De voz delicada e sensual, Rita Lee criou uma trajetória singular no embalo da irreverência de sua música e letra.

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